
São longas e tristes as noites
Que passo sem ti, meu bem;
Chamo ninguém me responde;
Olho, não vejo ninguém!
Mas quando a manhã aparece
Desabrochando em flor,
Resplandece a tua imagem
Enchendo-me o peito d' amor.
Adryka
Eu sou a que no mundo anda perdida, sou a que na vida não tem norte, Sou a irmã do Sonho, e desta sorte crucificada... a dolorida... Linha o manto do sol... quem mo roubou?! Quem pisou minhas rosas desfolhadas?! Quem foi que sobre as ondas revoltadas A minha taça de oiro espadelou? Citando:Florbela Espanca!





Soneto de aniversário
Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
Vinicius de Moraes
(Rio, 1942)