sexta-feira, dezembro 22, 2006

Natal



Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados, um sentimento conserva,
Os sentimentos do passado.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei.

Fernando Pessoa

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Não ser




Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!
...

Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!...

Florbela Espanca

quarta-feira, novembro 29, 2006

Eu, tu e a vida!...



Eu sou
Pobre timoneiro
Dum frágil veleiro
Ao sabor do mar...

E as ondas
Duma alva espuma
Vêm, uma a uma,
Para me embalar

Mas Longe
Vem a tempestade
Que o mar persuade
Forte e atrevido

E Eu,
Num barquinho lento,
Ao sabor do vento
Sinto-me perdido

Mas, Deus
Já o sol desmaia,
Lá longe na praia
Vejo Cintilar

Uma luz,
Pequenina e Bela,
Parece uma estrela
Para me guiar.

quinta-feira, novembro 23, 2006

À Vida!...





Por essa vida fora hás-de adorar
Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca,
Em infinito anseio, hás-de beijar
Estrelas d'oiro fulgindo em muita boca!


Hás de guardar em cofre perfumado
Cabelos d'oiro e risos de mulher,
Muito beijo d'amor apaixonado;
E não te lembrarás de mim sequer!..

Hás de tecer uns sonhos delicados
Hão-de por muitos olhos magoados,
Os teus olhos de luz andar imersos !

Mas nunca encontrarás p'la vida fora,
Amor assim como este amor que chora
Neste beijo d'amor que são meus versos!



Vamos beber uma taça!

sexta-feira, novembro 17, 2006

O Afastamento!...




São longas e tristes as noites
Que passo sem ti, meu bem;
Chamo ninguém me responde;
Olho, não vejo ninguém!


Mas quando a manhã aparece
Desabrochando em flor,
Resplandece a tua imagem
Enchendo-me o peito d' amor.


Adryka

terça-feira, novembro 14, 2006

Ao amor, à vida...


O branco imaculado deste lençol e o vermelho do fogo da paixão destas petalas soltas!
São a chama viva de um amor que não morre nunca!...



Teu olhar,luar d'Agosto
E'sopro de branda aragem.
Em minha alma tenho a imagem
do teu amoroso rosto!




Brindemos à vida, ao amor!...