sexta-feira, janeiro 26, 2007

Um grito!... Eu não consigo...




Era tão pequeno que ninguem o via
Estava sereno e desenvolvia
Sem falar, pedia-porque era semente
-ver a luz do dia como toda a gente.

Não tinha errado.
Não tinha roubado.
Não tinha matado.
Não fizera mal.
Foi assassinado porque a mamã o não queria.
Foi esterilizado com toda a mestria.


Taparam-lhe a boca!
Tratado como presa em toca.
Não soltou um grito.
Não teve manhã.
Nunca andou ao colo!
Não levou um beijo da sua mamá!
Não soube do mundo.
Não viu a magia.

Num breve segundo foi neutralizado...
Não teve direito de se defender...
Negaram-lhe tudo (o destino inteiro...)
- porque os abortistas nasceram primeiro.


Excerto do poema de Renato Azevedo.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

PORQUE VOTO NÃO AO ABORTO

Um desabafo!...

Apesar das habilidosas perguntas colocadas num boletim de voto num referendo que põe em questão um problema além do mais civilizacional, e que são inteligíveis apenas para alguns pseudo-letrados interessados em que tal crime venha a ser admitido pela legislação deste pobre país, governado por pobre gente e que tem como legisladores gente pobre, eu voto NÃO!!!

Votaria sim se, há oitenta ou mais anos, existisse e tivesse a premonição de que iria existir quem nos tempos actuais nos governa. E votaria sim, se tivesse a tal premonição, porque muitos daqueles que nos governam, filhos não se sabe de quem, não existiriam e este assunto nem seria discutido.

Gastam-se milhões com a preservação dos linces da Malcata; gastam-se milhões com a preservação de várias espécies animais e pisciculas em perigo; gastam-se milhões com a preservação de espécies vegetais em perigo; fazem-se expedições caríssimas em investigações submarinas e exibem-se nas televisões filmes deliciosos sobre a reprodução das espécies; fazem-se festas nos zoomarines quando nasce um golfinho ou uma foca...e reportagens feitas nas mais longínquas paragens quando nasce um panda, uma ninhada de lobos, ou de chacais!!!

E, estas estranhas entidades que nos governam, pretendem de forma referendária ir iniciando o fim da Humanidade?, Não!!! Categoricamente, Não!!!


Será que que todos os festeiros do 25/4, que se comprometeram a estabelecer uma democracia, se convenceram que a dita é uma ditadura do voto? Ou que ser presumidamente eleito é um àlibi?

Acabemos com isto, senhores e senhoras!

Escrito por: José Ribeiro.

Obs:Até ao fim do referendo não postarei mais qualquer post!...

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Natal



Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados, um sentimento conserva,
Os sentimentos do passado.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei.

Fernando Pessoa

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Não ser




Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!
...

Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!...

Florbela Espanca

quarta-feira, novembro 29, 2006

Eu, tu e a vida!...



Eu sou
Pobre timoneiro
Dum frágil veleiro
Ao sabor do mar...

E as ondas
Duma alva espuma
Vêm, uma a uma,
Para me embalar

Mas Longe
Vem a tempestade
Que o mar persuade
Forte e atrevido

E Eu,
Num barquinho lento,
Ao sabor do vento
Sinto-me perdido

Mas, Deus
Já o sol desmaia,
Lá longe na praia
Vejo Cintilar

Uma luz,
Pequenina e Bela,
Parece uma estrela
Para me guiar.

quinta-feira, novembro 23, 2006

À Vida!...





Por essa vida fora hás-de adorar
Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca,
Em infinito anseio, hás-de beijar
Estrelas d'oiro fulgindo em muita boca!


Hás de guardar em cofre perfumado
Cabelos d'oiro e risos de mulher,
Muito beijo d'amor apaixonado;
E não te lembrarás de mim sequer!..

Hás de tecer uns sonhos delicados
Hão-de por muitos olhos magoados,
Os teus olhos de luz andar imersos !

Mas nunca encontrarás p'la vida fora,
Amor assim como este amor que chora
Neste beijo d'amor que são meus versos!



Vamos beber uma taça!